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As vozes que me inspiram

Quarta-feira, 05.10.11

 

 

As vozes que me inspiram escolhem a simplicidade

e o recolhimento

são amáveis por natureza

o olhar límpido e brilhante

riem-se muito

e por vezes choram

 

As vozes que me inspiram são muito antigas

e sempre actuais

lembram velhinhas de rostos muito brancos

e sorrisos muito carinhosos e maternais

e quando falam é como um sussurro que mal se ouve

como um instrumento musical

a repetir a mesma frase


Lembro como quem viaja no tempo sem se mexer

essa verdade que aprendi ainda é a de hoje

antes no plano teórico agora no plano prático

as vozes que me inspiraram estavam certas

e as que me inspiram hoje também


Gostava de lhes dizer que estou aqui

neste preciso momento

de consciência clara, como um espelho

a reflectir encontros e desencontros

palavras e silêncios

e a claridade exacta

 

A síntese paradoxal que hoje sou

(ou penso que sou)

essa já é da minha inteira responsabilidade

Passei demasiado tempo a observar o mundo

e sempre através de janelas protectoras

só de vez em quando me atrevi a inundar-me de sol

O mundo sempre me assustou

toda essa agitação sem lógica nem sentido

mas que pode ser amável em pequenas doses

clareiras no tempo onde nos podemos abrigar 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:38

Do Tempo das Descobertas: A fuga de um lisboeta

Terça-feira, 15.09.09

 

A minha primeira descoberta para este "Do Tempo das Descobertas" vem do Ouriquense:

 

 

 

Terça-feira, 15 de Setembro, 2009

 

 

 

 

A racionalização era o meu ajustamento preferido e também o mais detestado. Se praticado por mim, tranquilizava-me; se praticado por outros em relação a mim, desesperava-me. Com os anos, aprendi que nunca se deve partilhar a nossa racionalização com a pessoa que a motivou. Mas aprendi também que ser exposto à racionalização da pessoa que a pratica em relação a nós é o caminho mais rápido para a libertação. Quando se começa a usar esta técnica, vai-se pois do desespero à melancolia e tudo acontece com a tranquilidade das rotinas. O único risco é abusar do expediente. Foi o que me aconteceu.  Nos últimos tempos, a racionalização que ouvia do outro despertava em mim algo novo. Não voltara a ser desespero, nem era já melancolia, antes um sentimento mais conformado do que o primeiro e, na aparência, mais simples do que o segundo. Seria apenas a banal tristeza, se não houvesse uma consciência tão aguda de que era preciso recorrer a um qualquer outro ajustamento, o que me levava a pensar na sublimação, projecção, regressão, negação e sublimação como opções de um cardápio. Tal lucidez não apagava a tristeza, nem sequer lhe alterava a intensidade, mas mudava-lhe a natureza. Ao fazer radicar a tristeza na própria lucidez, a tristeza deixava de ter uma causa externa. Deve haver um nome para este ajustamento. Indexação egoísta? Usurpação defensiva? É algo que desumaniza e que não recomendo a ninguém. Enfim, tudo é relativo. Quando se fala em desumanidade, ainda nos devemos lembrar primeiro das catanadas no Ruanda. "

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:20

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Quarta-feira, 15.07.09

 

 

Planícies intermináveis

ausência de sombras

o sol a invadir tudo

pedras, pele, alma

 

Viagem sem tréguas

a única que nos inspirou

 

Agora olhamos para trás

para essa sombra amiga

acena-nos de mansinho

muito de mansinho

 

Tempo de voltar a casa

a única que nos conheceu realmente

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:36

Do Baú:

Quarta-feira, 25.03.09

 

 

Na mais ténue incerteza

estava a razão de estar ali

naquele preciso momento

 

e as palavras eram ditas

como em pensamento

e as não ditas...

estavam-nos no sangue!

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:59

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Segunda-feira, 08.12.08


Como podemos descrever a nossa vida?

Um caminho?

Uma encruzilhada?

Um eterno retorno?

 

Acho que tive um pouco de tudo isso.

 

Também houve um vulcão activo

e um açude caudaloso.

 

E um jardim pacífico

onde não me importava de ficar.





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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:43

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Quinta-feira, 04.09.08

 

Que novas personagens nos surgem agora

que as não conseguimos achar fascinantes?

 

Muito vistosas e  muito ruidosas, sim

Mas que pensamentos e sentimentos próprios de uma personagem

na sua individualidade e filosofia próprias

encontramos nestas novas personagens?

 

Sacrifica-se tudo ao grupo, foi isso que aconteceu

O grupo determina ditatorialmente a nova personagem

as novas regras do jogo, as novas atitudes

os novos discursos, as novas percepções

Sacrificou-se a pessoa

 

Onde é que podem surgir personagens fascinantes

na ausência de pessoas, por assim dizer?

Autómatos e marionetas, e tudo na roda-viva

dos pensamentos e sentimentos por encomenda

 

Estou perfeitamente convencida que o Filósofo viu isso tudo muito antes

Antecipou esta época, estas novas personagens

e a ausência de pensamentos e sentimentos próprios

 

Imagino o pesadelo que o Filósofo terá tido

quando visualizou por assim dizer esse cenário

Posso até imaginar a tentativa de situar esse cenário

na lógica intrínseca da sua teoria geral

sobre a evolução da espécie humana



 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:37

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Quinta-feira, 21.08.08

 

Sim, a música também nos leva até esse tempo-espaço

que nunca é exactamente como foi mas uma reconstrução

 

Misturamos tudo, emoções e pensamentos 

imagens e claridades

 

Somos o que vivemos desde essa altura até agora

tudo no nosso cérebro como uma coisa viva

e sempre em transformação

 

Mil vezes essa amálgama confusa

de sentimentos e pensamentos, imagens e acontecimentos

que nunca sei situar

do que as certezas arrumadas de alguns

que não se deixam sequer transformar pela vida

em que a vida mal toca, passam pela vida de raspão

mergulham na existência e até parece que vivem intensamente

que mergulham por assim dizer na realidade

mas no fim de contas é tudo uma questão de superfície, de pele

não de essência nem de alma

 

A cada um a sua natureza



 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:49








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